Símbolo e imagem
Mito é um termo pejorativo utilizado por uma civilização técnico científica de visão puramente funcional e material para remover valor de histórias gráficas de construção progressiva, identificativa, interativa ( pois interage com os sentidos e com o Eu ). Isso demonstra, na verdade, a capacidade de interpretação limitada da complexidade multifractal do poder de uma narrativa simbólica por parte dos que exprimem esse significado meramente retilíneo e unidimensional dos símbolos. A verdade é que todo mito é um símbolo, assim como tudo na natureza da existência, dos seus padrões, ciclos, progressões, reações e dependências é um símbolo de algo, até o símbolo último e mais refinado: a natureza, que é símbolo do criador.
Precisa-se chegar na plataforma da compreensão humilde para que se entenda que tudo, até as palavras usadas nesse texto, são símbolos, ou seja, representam a imagem de algo. Ou seja, diminuem esse algo, refletem esse algo, compactam, comprimem esse algo, para que ele caiba em porções menores, seja mais facilmente transportado aonde sua imagem total não pode caber, pelo tamanho limitado, e baixa capacidade de processamento. Dessa forma é Deus, e todo símbolo é glória de sua compreensão, e todo símbolo em última instância aponta para ele, a pura luz ( que por si só já é um símbolo, para que compreendamos com nossa baixa capacidade de existência, Deus, que não é luz, pois ser luz já o limitaria, tirando de si sua capacidade de Deus, causa primeva dos fenômenos, e o transformado em um fenômeno, no caso um fenômeno de fótons atômicos, a luz )
Dessa forma, como os símbolos são na verdade transcrições de coisas maiores, compreende-se que todo símbolo aponta para a existência de algo mais concreto em si mesmo que o próprio símbolo, da mesma forma que o conceito que a palavra cadeira está representando é mais concreto em si mesmo do que a junção das letras na palavra "cadeira" para representar o objeto a que se assemelha, no universo. Símbolo é espelho, refletindo a imagem de algo maior que si. Símbolo é pacote de informação compactada. Símbolos são graus de existência progressivas de um ente na existência, como num gráfico vertical dividido em graus, quanto mais se sobe numericamente em altura mais concreta e real fica a existência de um ente, passando do range compreendido pelo intelecto humano (que não posso compreender a partir desse ponto com essa forma na natureza ) ao seu ponto máximo de concretude, existência, presença, da mesma forma quanto mais se desce nessa escala gráfica mais simbólico o ente fica, e se passado de um patamar o símbolo chega a se desmanchar na compreensão, se tornando tão diferente do ente quando este estava em sua forma plena que se torna irreconhecível para os olhos mais treinados que o vejam, quase perdendo sua natureza que é a de ser a contraparte gráfica mais fluida de um objeto. Símbolo é fumaça. Símbolo é devir.
Compreende-se assim que símbolos não podem ser criados, ou inventados, do nada, pois a tudo tem que significar, sendo contrapartes fórmicas de objetos, entes, já existentes na existência, mesmo que essas contrapartes mais reais não possam ser captadas pela intelecção momentâneas elas estão lá, traduzidas no ente simbólico. ( chega-se a conclusão que símbolo então é um estado físico de um ente, objeto ) Eles já existem e apenas podem ser transcritos, mas não criados. E foi o intelecto humano que fez o papel na criação dos mitos de traduzir os conceitos simbólicos mais complexos para formas mais miscíveis ao Eu do homem, de forma concreta, imagética e progressiva, aonde em narrativas se identifica o Eu do indivíduo com o objeto do símbolo, gerando uma identificação e assim um puxão de progressão do Eu do identificante.
Mitos, assim como histórias, não são narrativas de fatos, mas até quando essas fatos ocorreram em algum nível de verdade misturada com criatividade, eles são símbolos de coisas maiores, conceitos mais abrangentes, regentes, ininterruptos, grandiosos. Nenhum mito é em si mesmo mas são representações criadas de forma consciente ou inconsciente pelo intelecto humano de conceitos mais complexos, e elevados por um determinado grupo humano a nível de importância de acordo com a capacidade que o mito tem de abranger, conter em si, representar, aspectos intuitivos mas a princípios invisíveis da realidade da maioria dos indivíduos que compõem aquela sociedade. Logo, todo mito tem algo a dizer, com múltiplas camadas de interpretação de acordo com os graus que o ente interpretativo está na sua própria existência gráfica.
É energizando os símbolos que aquele que busca a verdade do seu Eu pode chegar nas portas de saída de cada parte do labirinto que esconde no seu centro a consciência, e é estudando suas formas mais poéticas e criativas, os mitos em nível humano, que compreende-se a natureza e as saídas desse labirinto. Estudando os mitos da civilização mais complexa que já existiu nesse planeta, podemos chegar a níveis da psique humana que nunca antes o indivíduo teve capacidade de perceber. Pois é na sociedade mais complexa, na mais evoluída, que habitaram os intelectos pontuais mais prontos e velhos, e eles inconscientemente transcreveram, auxiliaram e criaram direta ou indiretamente os mitos que foram elevados por sua compreensão nas malhas e teias das consciências cada vez mais complexas e profundas que habitaram suas sociedades nos diversos ciclos e oscilações históricas e sociais. É estudando os mitos elevados pela grande civilização ocidental em sua composição que pode-se entender de forma mais plena a natureza do universo. É estudando os significados das camadas mais profundas de compreensão do mitos escolhidos pelo intelecto automático da civilização ocidental que ve-se, nesse nível e nesse estado de ser, a forma mais plena possível antes da iluminação pura em si mesma, as saídas do labirinto da consciência humana.








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